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    HomeBrasilComprinhas da Shein: Haddad fala em diálogo e cita remessas caindo

    Comprinhas da Shein: Haddad fala em diálogo e cita remessas caindo

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    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, nesta segunda-feira (5/2), um diálogo entre os Três Poderes para tratar do e-commerce cross-border (como é chamada a compra e venda on-line entre diferentes países por meio de plataformas) no Brasil. Há uma pressão de varejistas nacionais para a retomada do imposto para compras internacionais de até US$ 50, que foi zerado provisoriamente no ano passado.

    Indagado se o imposto federal vai ser retomado, o ministro respondeu:

    “Aquilo está no Supremo Tribunal Federal. Tem uma ação direta de inconstitucionalidade que está sendo avaliada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e tem também uma movimentação no Congresso Nacional em relação a isso. Nós vamos discutir — Executivo, Legislativo e Judiciário — qual a melhor solução para isso”.

    CNI e CNC apelam ao STF contra isenção em compra on-line internacional

    Em meados de janeiro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) protocolaram ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a isenção do imposto de importação para bens de pequeno valor destinados a pessoas físicas no Brasil,  que são as compras em sites como Shopee e AliExpress.

    Haddad elogia Remessa Conforme

    Nesta segunda, o titular da pasta econômica elogiou o programa Remessa Conforme, lançado em agosto do ano passado para controlar as remessas enviadas ao Brasil. O programa cadastrou as empresas gigantes do e-commerce internacional — em especial as asiáticas, como Shein, Shopee e AliExpress.

    Veja aqui dados sobre as empresas certificadas no programa Remessa Conforme

    “O Remessa Conforme está operando bem. As remessas caíram muito. A questão do contrabando, que envolvia até remessa de droga para o Brasil, isso acabou. Nós estamos hoje uma disciplina bastante importante da Receita Federal. Está dentro do padrão legal. Então, foi afastado o mal maior, que era o crime tomar conta das remessas postais”, disse Haddad.

    O ministro falou a jornalistas após participar de evento no Rio de Janeiro. Ele proferiu palestra para os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia, unidade da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

    Entenda o e-commerce

    O programa Remessa Conforme, da Receita Federal, garante isenção provisória do imposto de importação, de competência federal, nas compras abaixo de US$ 50 (cerca de R$ 250) para as empresas que aderirem. Desde 1990, a legislação previa uma alíquota de 60% para o imposto de importação, mas esse valor não era efetivamente cobrado.

    Isso porque, nos últimos anos, as encomendas deixaram de entrar no país em containers para venda pelo varejo brasileiro e passaram a vir de forma “picada”, isto é, em pequenos pacotes, algumas vezes burlando a lei (com empresas se passando por pessoa física, por exemplo) e sem, na prática, pagar a taxa de 60%.

    A decisão de zerar temporariamente o imposto federal para empresas de comércio eletrônico cadastradas no programa só é válida em compras internacionais até US$ 50. Acima desse valor, seguem aplicados os 60% de imposto.

    Para compras de qualquer valor, os estados acordaram no ano passado a alíquota única do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 17%.

    As varejistas nacionais pressionam que o governo retome o imposto. Elas consideram que a isenção viola princípios como o da isonomia, da livre concorrência e do desenvolvimento nacional.

    Em 10 anos, entre 2013 e 2022, as importações de pequeno valor saltaram de US$ 800 milhões para US$ 13,1 bilhões, montante que representou 4,4% do total de bens importados em 2022. Ainda não há dados consolidados de 2023.

    A equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, espera solucionar o tema em 2024, conforme apurou o Metrópoles. A alíquota a ser estabelecida para o tributo federal é estimada em 20%.

    O comércio nacional mira uma resolução para a questão antes de maio, quando as vendas costumam ser aquecidas em função do Dia das Mães.

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