“O advogado Eugênio Aragão informa que está deixando a condução da defesa de Paulo Henrique Costa. Com quase 30 anos de atuação no Ministério Público Federal e extensa trajetória em funções de cúpula da instituição, Eugênio Aragão somente participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade. Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas”.
Foi com esses dizeres que o advogado Eugênio Aragão divulgou nota sobre sua saída da defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, acusado de ter recebido vantagens ilíticas de Vorcaro, como R$ 146 milhões em imóveis e de ter atuado fortemente em uma tentativa de compra do Master pelo BRB, que teria levado o banco público de Brasília a um rombo bilionário. Costa está preso desde o dia 16 de abril.
Conforme afirmarmos aqui, houve vazamento seletivo, criativo e criminoso de partes da suposta delação de Costa que tinham como objetivo atacar e envolver a governadora Celina Leão e deputados distritais no escândalo Master-BRB, através de um blog ligado diretamente ao Banco Master, o Vero Notícias, de propriedade do blogueiro Lucas Valença, que recebeu ao menos R$ 3 milhões de Vorcaro.
Desde a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, adversários políticos da governadora intensificaram uma ofensiva para desqualificá-la publicamente, atribuindo-lhe, sem provas, supostos crimes no âmbito do caso Master/BRB.
Apesar das insinuações, Celina Leão não foi sequer citada nas investigações nem figura como alvo de qualquer apuração oficial. O que chamou atenção, no entanto, foi a articulação por trás da disseminação de informações falsas através do Vero Notícias que buscava desgastar sua imagem, especialmente em um momento de pré-disputa eleitoral.
Eugênio Aragão é sócio de Willer Tomaz, figura já conhecida em investigações conduzidas pela Polícia Federal e advogado do ex-governador José Roberto Arruda, adversário político de Celina Leão.
A notória proximidade de Aragão com o advogado de Arruda levantou suspeitas de vazamento e a publicação de matérias com insinuações contra adversários políticos, fatos que podem comprometer a validade do acordo de Costa e gerar consequências jurídicas severas para o delator.
Recentemente o blog de Lucas Valença postou outra manchete sensacionalista onde desta vez afirmou que 12 deputados distritais estavam envolvidos no escândalo do Master-BRB.
“Anexos da proposta de delação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, obtidos com exclusividade pelo portal Vero Noticias, indicam que 12 deputados distritais (de um total de 24) supostamente receberam mesadas mensais de até R$ 150 mil do Banco Master. Os documentos, ainda sendo concluídos pelos advogados Davi Tangerino e Eugênio Aragão, integram a negociação de colaboração premiada de Costa com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda pendente de homologação judicial”, diz a matéria publicada em 12/5.
“Supostamente receberam mesadas mensais de R$ 120 mil”? Os distritais receberam ou não receberam propina? Como o Vero conseguiu ter acesso à delação de Paulo Henrique Costa, que sequer foi homologada? Por quê o advogado Aragão decidiu deixar a defesa do ex-presidente do BRB? Qual o real significado da frase divulgada por Aragão: “Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas”.
A saída do advogado de Paulo Henrique Costa ocorreu no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a 7ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes ligadas ao Banco Master. Na nova ação, a Polícia Federal teve como alvo um perito da própria corporação, suspeito de ter vazado dados sigilosos das investigações da Compliance Zero para a imprensa. O suspeito, que foi alvo de busca e apreensão e de uma ordem de afastamento do cargo público, é o perito João Claudio Nabas. Os mandados foram cumpridos em Rondônia.
Na nota, divulgada à imprensa, o STF afirmou que o investigado, na condição de perito criminal federal, teria repassado a um integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero.
Resta saber agora se o ministro André Mendonça mandará a Polícia Federal investigar quem de fato vazou partes de supostos trechos da “delação” de Paulo Henrique Costa que ainda não foi homologada, para o Vero Notícias, que recebeu milhões de reais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que tinha total interesse de vender o banco para o BRB.
Com receio de ser investigado por supostos vazamentos da delação de Paulo Henrique Costa em andamento, Eugênio Aragão decidiu pular do barco, deixando o ex-presidente do BRB à deriva.
Nos bastidores da política do DF, corre a informação que Costa decidiu mandar “recados” a ex-aliados do governo de Ibaneis e deputados da Câmara Legislativa, mas não deu certo. Aragão, coerente e profissional que é, percebeu a jogada de intimidação de PH e decidiu deixar o caso.
O pior nessa história toda, foi ver duas senadoras (Damares e Leila) abraçarem uma notícia sem pé nem cabeça, baseada em uma suposta delação, sem qualquer documento e provas apresentadas pelo site que só confirmou que é mesmo inverossímil e vendido aos interesses de Vorcaro.
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