Nos bastidores da política do Distrito Federal, alianças e rompimentos parecem seguir um roteiro já conhecido. Durante a gestão do governador Rodrigo Rollemberg, uma aliada próxima do governo — com forte trânsito no Palácio do Buriti — teria se tornado adversária após o desfecho conturbado de uma greve que deixou servidores insatisfeitos. A partir daquele momento, a então presidente do SindSaúde adotou postura mais crítica, chegando a divulgar áudios que expuseram tensões internas da administração.
Já no governo Ibaneis Rocha, ainda no primeiro mandato, Marli Rodrigues voltou ao centro das articulações políticas e sindicais. Nos bastidores, seu nome foi associado à negociação que resultou em reajustes salariais concedidos a parte das categorias da saúde em 2022, enquanto outros segmentos alegaram ter ficado de fora. A proximidade com o grupo político do governador também a levou a disputar uma vaga como deputada federal, obtendo pouco mais de 7 mil votos.
Na segunda gestão Ibaneis/Celina, o SindSaúde enfrentou novos episódios marcantes. Entre eles, a nomeação de Marli Rodrigues para a diretoria da Escola de Governo e sua posterior exoneração. Mesmo assim, a sindicalista manteve influência política e protagonizou uma cena simbólica ao lado da vice-governadora Celina Leão durante uma assembleia realizada na Praça do Buriti, quando ambas atravessaram o Eixão juntas — imagem que repercutiu amplamente entre servidores e lideranças sindicais.
Nos últimos meses, entretanto, postagens mais duras da entidade contra o governo passaram a gerar questionamentos sobre os rumos dessa relação. Teria havido um distanciamento nos bastidores? Estaria a presidente sindical reposicionando sua estratégia política? E, principalmente, como ficam os servidores diante desse cenário de tensão?
Entre alianças, críticas e reaproximações, a dinâmica entre governo e representação sindical segue em movimento — e o desfecho dessa história ainda está em aberto.



