Home Brasil Ronnie Lessa questiona delação com a PF e relata ameaças do PCC

Ronnie Lessa questiona delação com a PF e relata ameaças do PCC

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O ex-policial militar Ronnie Lessa tem externado a familiares um grande incômodo com a situação vivida por ele após firmar acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) no caso Marielle Franco.

Réu confesso e condenado pelo crime, Lessa afirmou a familiares em visitas ter contribuído significativamente com as investigações que levaram à prisão dos irmãos Brazão e do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa. No entanto, ele se queixa das condições em que se encontra atualmente.

O ex-policial reclama que, embora o acordo de delação tenha garantido sua transferência do presídio federal em Mato Grosso – o que de fato ocorreu, em junho do ano passado –, as condições na Penitenciária 1 (P1) de Tremembé em São Paulo o levam a questionar se os termos negociados foram vantajosos.

Desde que ingressou na P1 de Tremembé, Lessa diz estar em uma espécie de “solitária”, sem acesso a banho de sol ou convívio com outros detentos. Ele relatou a familiares que, apesar das ameaças recebidas de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), esperava ser alocado em outros pavilhões e cumprir pena como um “detento comum”.

O ex-policial também comparou sua atual situação com o período em que esteve no sistema prisional federal, onde, segundo ele, podia ao menos fazer cursos profissionalizantes e estudar. Já em Tremembé, afirma não ter nenhuma atividade, pois os agentes alegam risco à sua segurança.

Documentos do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) indicam que o PCC já teria encomendado a morte de Lessa, o que deixou um recado explícito a familiares: o pedido para ser transferido.

Os advogados já apresentaram um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a mudança de unidade.

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Ronnie Lessa

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Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes

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Ronnie Lessa foi preso em 2019 por matar Marielle Franco

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Marielle Franco era vereadora do Rio de Janeiro (RJ) pelo PSol. Ela foi morta pelo miliciano Ronnie Lessa, apontado como “psicopata” em depoimento de delegado.

Renan Olza/Camara Municipal do Rio de Janeiro

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Ronnie Lessa é réu pelo assassinato da vereadora Marielle Franco

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O pavilhão onde Lessa está preso é conhecido por abrigar integrantes de facções criminosas. A P1 de Tremembé tem um perfil diferente da P2, onde cumprem pena o ex-jogador da Seleção Brasileira Robinho e o empresário Thiago Brennand, ambos condenados por estupro.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirmou que Lessa cumpre pena em cela individual, além de pontuar que o ex-policial usufrui diariamente de banho de sol, mas em pátio reservado. “O detento, assim como os demais, participa de projetos culturais na unidade e tem a mesma rotina dos demais custodiados”, explicou a pasta.

O crime

Marielle Franco foi assassinada, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, na noite de 14 de março de 2018. À época, ela tinha pouco mais de um ano de mandato como vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Marielle voltava de um encontro de mulheres negras na Lapa. Élcio emparelhou o carro que dirigia e Lessa fez os disparos. Foram 13 tiros.

Os disparos atingiram também o motorista dela, Anderson Gomes. Lessa explicou durante o julgamento que, como a munição utilizada foi a 9 mm, ela tem um poder grande de “transfixar”, o que fez que os disparos que acertaram Marielle também chegassem ao corpo do motorista.

A assessora de imprensa da parlamentar, Fernanda Chaves, que estava ao lado de Marielle no carro, foi ferida por estilhaços, mas sobreviveu.

Após delação, Ronnie entregou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes e o delegado Rivaldo Barbosa como mentor do crime. Eles negam a autoria. O processo corre no STF em uma ação penal.

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