Várias dúvidas sobre o cumprimento dos protocolos de biossegurança ganharam repercussão entre os internautas e a comunidade de Laranja da Terra, na região serrana do Espírito Santo. Durante uma aula de química em uma escola pública, um professor aplicou testes de tipagem sanguínea reutilizando a mesma agulha em 44 alunos. O caso ocorreu na última sexta-feira (14/3).
O que aconteceu
- Na ocasião, estudantes das 2º e 3º séries do ensino médio, com idades entre 16 e 17 anos, participavam de uma aula de práticas experimentais com ciências sobre observação de células sanguíneas, realizada pelo professor de química.
- Na aula, o professor aplicou testes de tipagem sanguínea reutilizando a mesma agulha em 44 alunos. Após a diretoria do centro de ensino ter ficado ciente sobre o caso, os alunos foram encaminhados ao hospital e precisaram ser submetidos a testes rápidos de diagnóstico de infecção. Todos testaram negativo para doenças transmissíveis.
- Segundo a Secretária de Educação (Sedu), na terça-feira (18/3), os alunos realizaram novos testes complementares para testar a imunidade contra hepatite B e C. Além disso, o órgão também informou que os adolescentes estão bem e frequentando as aulas normalmente.
- Ainda conforme a Sedu, a atividade foi ministrada sem a devida autorização da coordenação pedagógica. O órgão acrescentou que todas as medidas necessárias foram tomadas e os alunos realizarão novos testes em 30 dias.
Biossegurança e riscos de contaminação
A biomédica especialista em estética Melissa Brum destaca os riscos iminentes dessa prática.
“A reutilização de agulhas é extremamente perigosa e pode trazer sérios riscos à saúde. Além de aumentar a chance de infecções, essa prática pode levar à transmissão de doenças graves, como hepatites B e C e HIV”, alerta Brum.
Além disso, a especialista ressalta que, ao se comprometer com a saúde dos pacientes e dos profissionais, é fundamental que o uso de materiais descartáveis siga um rigoroso padrão de segurança.
@metropolesoficial Cerca de 44 alunos de uma escola pública de #LaranjadaTerra, na região Serrana do #EspíritoSanto, foram parar no hospital após um professor reutilizar a mesma agulha em todos os adolescentes durante testes de tipagem sanguínea. O caso ocorreu durante uma aula de química com estudantes do 2º e 3º anos do ensino médio, na última sexta-feira (15/3). Em nota, a Secretaria de Educação (Sedu) informou que os alunos estão bem e frequentando as aulas normalmente. Todos os estudantes foram submetidos a testes rápidos de diagnóstico de infecção, com resultados negativos para todas as doenças testadas. Além disso, na manhã desta terça-feira (18/3), os alunos realizaram testes complementares para testar a imunidade contra hepatite B e C. Na ocasião, os estudantes das 2ª e 3ª séries do ensino médio, com idades entre 16 e 17 anos, participavam de uma aula de Práticas Experimentais com Ciências sobre observação de células sanguíneas, realizada pelo professor de química. No entanto, ainda conforme a Sedu, a atividade foi ministrada sem a devida autorização da coordenação pedagógica. O órgão complementou afirmando que, após tomar conhecimento do ocorrido, todas as medidas necessárias foram tomadas e os alunos realizarão novos testes em 30 dias. “Os alunos serão submetidos a novos testes em 30 dias. Além disso, a escola promoveu um encontro com pais e alunos, contando com a presença da Semus, para prestar esclarecimentos. Os alunos serão submetidos a novos testes em 30 dias”, disse o órgão. Ainda em nota, a Sedu disse que o contrato com o professor foi encerrado e o caso designado para a corregedoria da pasta. #TikTokNoticias ♬ ■ News News-Drone-IT-AI(963995) – ImoKenpi-Dou
Ainda de acordo com a biomédica, o procedimento incorreto pode resultar não só na transmissão de doenças infecciosas, mas também na contaminação cruzada, que pode causar inflamações e outras reações adversas. Por isso, o uso da agulha deve ser sempre único, com descarte adequado após o procedimento.
“A biossegurança é essencial na prática clínica. Nunca comprometam a saúde do paciente — e a sua — por descuido ou falta de informação. Seguir os protocolos corretamente é fundamental para um atendimento seguro e responsável”, acrescenta Melissa.
Demissão do professor e investigações
O professor que utilizou a mesma agulha em mais de 40 alunos precisou deixar o local por medo de represálias por parte dos pais, segundo a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). A corporação informou que tomou conhecimento do caso após o pai de uma aluna ter denunciado o docente.
Em nota, a PMES informou que o professor utilizou apenas álcool 70% nas mãos dos alunos antes de realizar a perfuração, além de utilizar a mesma lanceta para todos.
A Sedu também informou que o contrato com o professor foi encerrado e o caso será designado para a corregedoria da pasta.
Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), o caso seguirá sob investigação da Delegacia de Polícia de Laranja da Terra e, no momento, não serão divulgados detalhes da investigação.