A campanha nacional de vacinação contra a gripe (influenza) começa no próximo dia 7 de abril pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a população que faz parte dos grupos prioritários. Para os demais brasileiros que desejarem garantir a proteção contra a doença, a imunização está disponível apenas pela rede privada.
Ao contrário da vacina contra a Covid-19, a da gripe tem indicação para ser aplicada anualmente em toda a população, incluindo as pessoas que não compõem os grupos prioritários, como adultos saudáveis.
A principal justificativa para a diferenciação da indicação está na oferta dos imunizantes. A vacina contra a Covid-19 está disponível somente no SUS, com doses limitadas. Por isso, são priorizadas as pessoas que correm risco maior de ter doença grave — como idosos e imunocomprometidos, que devem receber uma dose a cada seis meses, e outros grupos que devem tomar uma dose anualmente.
As vacinas contra a gripe, por outro lado, têm uma escala maior de fabricação. Além dos imunizantes que chegam ao SUS para os grupos prioritários, os laboratórios produzem e distribuem doses suficientes para vender para as clínicas particulares. Assim, toda a população tem a possibilidade de se manter protegida contra as complicações da gripe.
“O SUS prioriza os pacientes com risco maior. O privado amplia essa possibilidade de vacinar contra influenza para todas as pessoas”, aponta a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, do Alta Diagnósticos.
“A vacinação contra a Covid-19 também deveria seguir esse racional (da imunização anual), mas o produtor não disponibiliza vacinas no mercado privado, então não podemos falar para as pessoas tomarem também”, considera o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Kfouri explica que a proteção contra a Covid também cai com o passar dos meses após a vacinação. O que nos protege, no entanto, é o fato de já ter tomado algumas doses de vacina do passado e a exposição prévia ao vírus por algumas vezes. “Isso tornou a doença mais branda em todos nós, exceto nos grupos de risco”, conta.
Por que a vacinação contra gripe deve ser anual?
O vírus influenza muda um pouco a cada ano. As vacinas contra a gripe são atualizadas anualmente com as cepas em maior circulação durante o inverno no hemisfério Norte, porque é esperado que elas cheguem ao hemisfério Sul em seguida.
A formulação é definida conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que realiza a vigilância no mundo inteiro, explica o infectologista Alberto Chebabo, do laboratório Sérgio Franco, da Dasa.
“As vacinas para o hemisfério Sul são atualizadas a partir de setembro, com produção e disponibilização a partir de março. O hemisfério Norte segue o mesmo processo, com atualização em março e aplicação a partir de outubro. Portanto, as vacinas são atualizadas anualmente, seguindo as recomendações da OMS, justificando a necessidade de vacinação anual com uma fórmula atualizada”, explica Chebabo.
Em 2025, a proteção da vacina trivalente (oferecida no SUS) será voltada para os vírus H1N1, H3N2 e B. A quadrivalente, oferecida na rede privada, acrescenta a proteção contra outra cepa do vírus B.
“Diferentemente da Covid-19, com a gripe a gente consegue antever que variante vai circular no Brasil daqui a três ou quatro meses. A vacinação deve ser ajustada porque o vírus sofre mutações frequentes, então a composição muda”, explica o vice-presidente da SBIm.
Queda da proteção
Outro fator para a vacinação anual é a queda natural da resposta imunológica do organismo. A quantidade de anticorpos diminui significativamente após quatro a seis meses. Mas por que a vacinação não é semestral?
A circulação do vírus influenza segue uma sazonalidade bem marcada. Ou seja, ela é maior nos meses de outono e inverno, com menor risco durante a primavera a verão, quando a proteção começa a decair naturalmente.
“Nós sabemos que, com o passar de aproximadamente seis meses, há uma perda de proteção. Como a gripe é bem sazonal, não é preciso dar a vacina a cada seis meses. A pessoa passa o inverno protegida”, explica Kfouri.
Por que pessoas fora dos grupos de risco devem considerar tomar a vacina?
Embora os grupos não prioritários raramente evoluam para as formas graves da doença, os médicos destacam que a gripe é uma doença evitável. A vacinação é uma forma de proteção individual e coletiva.
“É uma vacinação que muitos países fazem a recomendação universal. Ela previne faltas no trabalho, na escola, uso de medicamentos, complicações e a transmissão dentro de casa para outras pessoas em grupos de risco”, afirma Kfouri.
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