Oficial do Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Michael Kozak se reuniu nesta segunda-feira (24/3) com o recém-eleito presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin. O representante de Donald Trump afirmou ter conversado sobre medidas contra a China e outros países nas Américas, mas não falou sobre o Brasil em nota após a agenda.
“Hoje, o oficial sênior Kozak se encontrou com o secretário-geral eleito da Organização dos Estados Americanos Ramdin para discutir reações a regimes antidemocráticos em Cuba, Nicarágua e Venezuela, a limitação da influência do Partido Comunista Chinês na região e a institucionalização de reformas substanciais para melhorar a eficiência”, informou o departamento do governo Trump, em nota.
A direita brasileira tenta articular retaliações dos EUA contra o Brasil por causa das ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra o X, rede social de Elon Musk. O país, porém, sequer foi citado na nota do Departamento de Estado de Donald Trump, publicada nesta quinta.
Ramdin chegou à presidência da OEA a partir de uma articulação do Brasil com Bolívia, Chile, Colômbia e Uruguai. O Itamaraty anunciou apoio ao diplomata surinamês junto com os aliados, o que levou à desistência do ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. O paraguaio era o nome favorito dos grupos conservadores.
Neste ano, a OEA se tornou objeto de disputa entre apoiadores de Bolsonaro e simpatizantes ao governo Lula e ao STF. Os grupos tentaram influenciar o relator especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Pedro Vaca, que em breve publicará um relatório sobre eventuais violações da liberdade de expressão no Brasil.