A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, disse que o governo Lula (PT) não tem a visão de reduzir o tamanho do Estado para gerar corte de despesas. Questionada sobre a reforma administrativa cobrada por segmentos das classes política e empresarial, Dweck disse que a visão do atual governo é transformar o Estado para melhorar a prestação de serviços.
Há pressão por uma reforma que economize recursos públicos, mas na visão de Dweck e do próprio presidente Lula, essas mudanças não geram economia substancial.
“Eu acho que o digital, por exemplo, tem muito mais capacidade de redução de custos. Mas a gente também está fazendo muita coisa. O próprio dimensionar bem a força de trabalho é uma lógica interessante de pensar onde que eu preciso realmente de pessoas”, argumentou Dweck.
E completou: “O nosso foco de transformação do Estado é melhorar a prestação de serviço público. Muitas vezes a gente vê a cobrança de quem, na verdade, não tem esse foco, tem foco é na redução do Estado. Aí essa, realmente, a gente não vai atender a essa demanda”.
A auxiliar do presidente Lula fez, na semana passada, uma apresentação na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a representantes da indústria, do comércio e dos serviços na qual mostrou ações tocadas por sua pasta. Ela também citou cobranças do próprio setor privado por maior celeridade nos processos.
“Aí a gente fala: para isso, eu preciso de gente. Para isso, eu preciso de um Estado que funcione. Para isso, eu preciso de uma transformação digital. Então, eles totalmente concordaram que a transformação do Estado é necessária. Não é menos Estado”, disse ela, que completou dizendo que “existe um mito do Estado inchado”.
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Reajuste a servidores
Na entrevista, a ministra ainda comentou os reajustes pactuados no ano de 2024 com servidores do Executivo federal. Ela lembrou que, em 2023, a gestão petista reabriu a mesa de negociação com as categorias. “Parte da inflamação da reclamação é porque eles sabem que eles estão em um governo onde eles podem reclamar, que a reclamação será ouvida e terá eco, mas a gente conseguiu completar o ciclo”, disse.
Dweck ainda lembrou que os servidores vinham de anos de perdas na remuneração em função da inflação. “Como toda negociação, nunca é o que a carreira quer, nem nunca é o que o governo propôs inicialmente, foi o meio-termo”, admitiu.
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Por fim, a ministra deu a entender que as negociações salariais com as carreiras foram encerradas e disse que elas voltam “num próximo ciclo de governo”. “Vamos ver quem vai estar aqui para fazer essa negociação.”
O pagamento efetivo dos salários dos servidores reajustados será apenas no dia 2 de maio, com o retroativo dos meses de janeiro, fevereiro, março e abril.
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