Aneurismas cerebrais são dilatações nas artérias do cérebro que podem romper a qualquer momento, causando hemorragias graves. Por causa disso, a escocesa Amber Ford, de 31 anos, convive diariamente com o medo de morrer.
Ela foi diagnosticada com três aneurismas, e a condição é tão delicada que a cirurgia para retirá-los é considerada perigosa demais.
Amber se considerava uma pessoa saudável antes de adoecer em 2018. Ela foi inicialmente diagnosticada com caxumba e paralisia de Bell, uma condição que causa fraqueza temporária nos músculos do rosto.
“Acordei um dia e meu rosto estava todo torcido. Desde então, as coisas não estão bem. Isso tomou conta de toda a minha vida. Nem saio de casa porque começo a ter ataques de pânico”, conta em entrevista ao The Sun.
O que é um aneurisma?
- O aneurisma é uma dilatação que se forma na parede da artéria, semelhante a um balão.
- Os aneurismas podem ocorrer em qualquer artéria do corpo, sendo mais comuns na aorta, artéria principal que transporta sangue do coração para o restante do organismo.
- O maior risco está na possibilidade de rompimento.
- Com o aumento da pressão sanguínea, ele pode se romper, causando um AVC hemorrágico grave, chamado de hemorragia subaracnoide.
Sintomas preocupantes
Em 2020, Amber começou a apresentar sintomas como fadiga extrema, fortes dores de cabeça, distúrbios na visão e episódios em que acordava sufocada com o próprio vômito.
“Eu estava adormecendo no trabalho, em pé. As dores eram tão fortes que eu não conseguia levantar a cabeça, e a luz no quarto era insuportável. Eu passava mal durante o sono e acordava engasgada, sem conseguir respirar”, relembra.
Além disso, ela sofreu alterações na visão, perda momentânea do movimento das pernas ao rir e mudanças inesperadas no comportamento.
Mesmo relatando os sintomas aos médicos, Amber sentia que suas queixas não eram levadas a sério. “Eu sabia que havia algo errado comigo há muito tempo, mas me diziam que eu estava causando esses problemas ou que precisava de tratamento psiquiátrico”, lamenta.
Foi apenas em dezembro de 2023, ao conseguir uma tomografia computadorizada pelo plano de saúde, que veio a descoberta. Inicialmente, ela suspeitava de um câncer na garganta devido a um caroço na região, mas o exame revelou uma “sombra” no cérebro.
Uma ressonância magnética feita em abril de 2024 confirmou a presença de três aneurismas.
Risco de cirurgia
Amber agora enfrenta uma decisão difícil. Uma das opções é uma cirurgia para inserir uma bobina de metal e bloquear o fluxo sanguíneo para os aneurismas, mas o procedimento traz grandes riscos, incluindo hemorragia, derrame ou morte. Outra opção seria não fazer nada e conviver com a ameaça constante de um rompimento.
“Vivo com uma ansiedade insuportável todos os dias pensando se eles vão romper hoje, ou se vou morrer hoje. Se isso acontecer e eu sobreviver, posso nunca mais andar, ficar cega, nunca mais falar. Me sinto uma prisioneira nessa situação e parece que não importa qual opção eu escolha, o resultado simplesmente não é bom”, desabafa.
Uma alternativa sugerida por neurocirurgiões seria a fenestração, um procedimento que divide uma artéria em duas, mas a localização dos aneurismas torna a cirurgia ainda mais delicada.
Condição hereditária
Amber acredita que sua condição tenha origem genética. Sua avó morreu aos 56 anos devido a um aneurisma cerebral. A única forma de entender melhor o quadro seria uma angiografia, um exame em que um tubo fino é inserido em uma artéria para obter imagens detalhadas do cérebro. No entanto, o procedimento também traz risco de derrame.
Diante das incertezas, Amber encontrou um médico nos Estados Unidos especializado em casos complexos de aneurisma. Ele aceitou analisar seu caso, mas ela não tem condições financeiras de bancar a viagem e os custos médicos – por isso, tenta juntar dinheiro na internet.
“Eu realmente só quero minha vida de volta. Quero ter uma família e aproveitar minha vida”, afirma.
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