O youtuber e estudante de história da Universidade de Brasília (UnB) Wilker Leão reuniu, na noite desta sexta-feira (4/4), amigos e outros estudantes da instituição em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para protestar contra a reitoria e lideranças comunitárias.
O grupo pretendia protestar no campus Darcy Ribeiro da UnB, mas voltou atrás horas antes e decidiu levar o ato à CLDF. O deputado distrital Thiago Manzoni (PL) recebeu os cerca de 30 manifestantes do lado de fora da Câmara.
“Nós vamos trabalhar para que a educação do Distrito Federal, em especial o ensino superior, seja livre dessa hegemonia do pensamento esquerdista”, afirmou Manzoni. O parlamentar agradeceu as forças de segurança e prometeu: “O ato que aconteceu aqui hoje vai acontecer em breve na UnB.”
Após o deputado, Wilker falou sobre a remarcação da manifestação. “Isso não foi um cancelamento do ato, é um adiamento. Na semana que vem, a gente vai se reestruturar diante das diversas ameaças [de estudantes]”, alega.
O influenciador nega que ele ou colegas tenham ameaçado outros alunos. “A gente nunca ameaçou ninguém, nunca incitou violência. A gente quer lutar por liberdade”, afirma.
Wilker tenta mobilizar diferentes grupos desde que foi suspenso pela segunda vez pela reitoria da universidade por tumulto em sala de aula. Ele já havia sido afastado por 60 dias em dezembro de 2024 após gravar aulas, mesmo sem a autorização de professores, com o objetivo de criar um embate enviesado com o docente, lançar no YouTube e ganhar dinheiro com as visualizações na plataforma.
“Te arrebento em meia hora”
Antes de ir à CLDF, Wilker e os demais estiveram no campus Darcy Ribeiro da UnB, em frente à biblioteca. Em determinado momento, estudantes e líderes acadêmicos bateram boca com o youtuber.
Vídeos registrados pelo Metrópoles mostram o influenciador trocando ofensas com estudantes. Em determinado momento, um militante de esquerda aponta o dedo para o youtuber e diz: “Te arrebento em meia hora”.
Assista:
Ameaças à universidade
Desde pouco antes do início do semestre, a UnB tem sido alvo de ataques de pessoas de fora da comunidade universitária. Ainda no período de férias, um grupo de jovens de extrema direita esteve no campus Darcy Ribeiro e pintou de branco a porta do Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis).
A ação apagou desenhos e frases deixadas por estudantes do curso e por visitantes do local como forma de expressão nesse espaço, destinado a reuniões, descanso e eventos acadêmicos. O grupo alegou ter tomado a medida para apagar “símbolos comunistas” da universidade.
Além disso, eles penduraram uma bandeira do Estado de Israel em uma das paredes do campus e prometeram uma nova ação na instituição de ensino superior federal, para combater o que classificaram como “doutrinação comunista”.
A repercussão dessas ações levou a uma reação da comunidade acadêmica em defesa da universidade. No primeiro dia de aula deste semestre, em 24 de março último, centenas de pessoas se reuniram para um ato em repúdio ao grupo.
Na data, os mesmos manifestantes de extrema direita, bem como o youtuber Wilker Leão – que segue suspenso da UnB –, tentaram um embate com os participantes do protesto, mas encontraram resistência e acabaram afastados do campus.
Em seguida, estudantes montaram um cordão humano e gritaram palavras de ordem contra a tentativa de atrapalhar o ato, organizado pelos universitários e por movimentos de esquerda.
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