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quinta-feira, 27 março, 2025
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    Apagão: DF registra 12 queixas de falta de energia por hora em 2025

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    O primeiro trimestre de 2025 ainda não acabou, mas o Distrito Federal já soma números astronômicos referentes à queda de energia. A CEB Ipes, responsável pela iluminação pública da capital, registrou, até o momento, 25 mil atendimentos para corrigir falta de luz nas ruas do DF, número equivalente a 12 ocorrências por hora.

    Uma das vias que sofrem mais reclamações em relação à baixa luminosidade é a Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), que corta a região do Lago Sul.

    O Metrópoles viu de perto a escuridão na via, na noite dessa segunda-feira (24/3). É perceptível que, mesmo com os postes ligados, a estrada é mal iluminada.

    Confira as imagens:

    5 imagens

    O número equivale a 12 registros por hora

    Estrada Parque Dom Bosco (EPDB) é uma das vias mais castigadas pela falta de iluminação
    Metrópoles conferiu de perto a baixa iluminação na região do Lago Sul
    Carros têm de usar luz alta em vários trechos da via
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    CEB Ipes recebeu 25 mil queixas de falta de iluminação pública somente em 2025

    Kebec Nogueira/Metrópoles (@kebecfotografo)

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    O número equivale a 12 registros por hora

    Kebec Nogueira/Metrópoles (@kebecfotografo)

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    Estrada Parque Dom Bosco (EPDB) é uma das vias mais castigadas pela falta de iluminação

    Kebec Nogueira/Metrópoles (@kebecfotografo)

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    Metrópoles conferiu de perto a baixa iluminação na região do Lago Sul

    Kebec Nogueira/Metrópoles (@kebecfotografo)

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    Carros têm de usar luz alta em vários trechos da via

    Kebec Nogueira/Metrópoles (@kebecfotografo)

    Solicitado pela reportagem, o levantamento referente às ocorrências na iluminação pública da capital faz um recorte entre 1º de janeiro e 24 de março. Nos anos anteriores, as queixas de falta de energia sempre passaram de 100 mil. Em 2022, foram 131 mil atendimentos; em 2023, 176 mil; e em 2024, 124 mil.

    Moradores e comerciantes no prejuízo

    Os apagões repentinos e a demora para o restabelecimento dos serviços incomodam moradores e causam prejuízo a comerciantes. O Metrópoles foi às ruas nessa segunda-feira (24/3) para ouvir a população, que é quase unânime em dizer que são precários os serviços prestados pela Neoenergia e pela CEB Ipes.

    O atendente de uma tabacaria na 115 Norte Carlos Emanuel Conceição, 21 anos, tem apenas oito meses no emprego atual, mas já presenciou ao menos quatro quedas de energia. “Quando ficamos sem luz, é um dia perdido, porque não podemos mais atender ninguém”, lamenta.

    Além de ter que fechar a loja, Carlos enfrenta a perda de produtos. “Nos últimos apagões, nós perdemos R$ 4 mil reais em picolé, em média. Nenhuma autoridade fala em ressarcimento”, afirma.

    Segundo o atendente, quando há queda de energia, o restabelecimento completo só acontece dentro de três a quatro horas. “Quando cai a noite é muito ruim, simplesmente não dá para ter atendimento. A gente liga na CEB,  os clientes também. Eles falam: ‘Já estamos resolvendo’, e só.”

    Funcionária de uma loja de calçados na mesma comercial, a atendente Maria do Socorro, 32 anos, também presenciou ao menos cinco quedas bruscas de energia nos últimos meses. “Sempre que isso acontece, a gente fica duas, três horas sem luz. Prejudica muito o atendimento, porque a gente é obrigado a fechar a loja”, relata.

    “Também temos receio em relação à segurança, pois, quando escurece, a população em situação de rua toma conta e aí a gente fica à mercê.”

    O chefe de cozinha Anastácio Araújo, 50 anos, trabalha há 30 anos em um restaurante na 115 Norte e é morador da 715 Norte. “Tenho visto muitas quedas de energia nos últimos três anos, principalmente depois que entrou essa nova empresa aí. Inclusive, a gente perdeu um exaustor há cerca de dois meses. Ninguém tá nem aí”, conta o empresário.

    Na última sexta-feira, a casa estava lotada quando deu aquele apagão. Quando é assim, o ar condicionado da cozinha é desligado e a gente não pode ficar dentro por causa do calor. Mesmo assim nós tentamos na sexta-feira, mas dois funcionários nossos passaram mal por devido ao calor.”

    “Das últimas três vezes em que percebi queda de energia lá em casa, a luz caiu à noite e só veio voltar no outro dia.”

    O barbeiro Henrique Nery, 33 anos, é mais um comerciante do DF que trabalha na Asa Norte e já viu inúmeros episódios de queda de energia. Atuando na 115 Norte há dois anos. “Já percebi muita falta de luz, geralmente no período da tarde, por volta das 16h. Quando cai, demora mais de uma hora para voltar”, comenta o profissional.

    “Em alguns casos, temos que fechar mais cedo. Não tem como trabalhar na escuridão. Isso nos gera um prejuízo de R$ 500, R$ 600 por dia.”

    A engenheira florestal Yanka Alves, 28, mora no DF há pouco mais de um ano. Ela trabalha em um instituto federal com sede na 405 Norte e percebe quedas de energia diárias na região. “Já ouvi relatos de colegas que perderam computadores com tantas quedas”, explica.

    Para Yanka, que chegou há pouco tempo no DF, a iluminação pública também deixa a desejar. “Acho que [a iluminação] pode melhorar. Ainda não conheço tanto a cidade e não ando desacompanhada, mas sempre ouço histórias de violência contra mulheres e talvez um dos motivos sejam os espaços obscuros”, aponta. “Se fizéssemos um melhor consórcio de iluminação, talvez garantiríamos um pouco mais a segurança de forma geral.”

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    Carlos Emanuel Conceição, 21 anos

    Anastácio Araújo, 50 anos
    Henrique Nery (de pé), 33 anos
    Yanka Alves, 28 anos
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    Maria do Socorro, 32 anos

    Willian Matos/Metrópoles

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    Carlos Emanuel Conceição, 21 anos

    Willian Matos/Metrópoles

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    Anastácio Araújo, 50 anos

    Willian Matos/Metrópoles

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    Henrique Nery (de pé), 33 anos

    Willian Matos/Metrópoles

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    Yanka Alves, 28 anos

    Willian Matos/Metrópoles

    Último apagão

    Parte da Asa Norte ficou sem energia na noite de sexta-feira (21/3). Por volta das 20h30, barulhos semelhantes a explosões foram ouvidos por moradores das quadras 114 e 314 Norte. Da janela de um apartamento, uma pessoa filmou a rua com bastante fumaça.

    A quadra 109 Norte também ficou no escuro, assim como a 110, 113 e 116 Norte.

    A energia começou a voltar de forma gradual nesses locais após cerca de duas horas. Por causa da escuridão em vários pontos da área nobre, a Polícia Militar do DF (PMDF) teve de reforçar o patrulhamento na região.

    Acidentes com mortes

    Além dos apagões, os acidentes envolvendo choques elétricos — alguns com mortes — preocupam. Foram cinco casos nos últimos cinco dias. Duas pessoas morreram e uma está internada em estado grave.

    Confira um resumo:

    • O primeiro acidente foi registrado em 14 de março, quando uma mulher de 56 anos esbarrou em um cabo e levou uma descarga elétrica enquanto caminhava por uma rua em Taguatinga. O cabo seria da empresa Neoenergia, empresa responsável pela distribuição de energia no DF.
    • No dia 20, Adrian David Feitoza Coelho, de 10 anos, morreu após encostar em um veículo energizado por um fio de alta tensão. A tragédia aconteceu na Estância 4, Módulo 6, em Planaltina.
    • Nesse sábado (22/3), um técnico de som de 32 anos, identificado como Renato Pena do Carmo, morreu após levar um choque enquanto trabalhava na montagem de som para a Festa do Preto, que aconteceria naquele dia, à noite, no Estádio Nacional Mané Garrincha. O evento foi adiado em respeito à vítima.
    • No domingo (23/3), Cleonilson Borges Pimentel, 56 anos, sofreu uma descarga elétrica ao passar próximo a um poste de iluminação pública, em um beco na quadra 6 do Cruzeiro Velho. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e transportou o homem com vida ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O estado dele é grave.
    • Nessa segunda-feira (24/3), um jovem de 29 anos sofreu um choque elétrico no Sol Nascente, por volta das 16h20. Ele caiu de uma altura de cerca de 2,5 metros e sofreu um edema na testa, um corte na boca e uma possível fratura no fêmur direito. Foi estabilizado e levado ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC).

    Respostas

    Em resposta ao Metrópoles, a CEB Ipes afirmou que a maior parte das ocorrências na iluminação pública são em decorrência de furto e vandalismo. “A CEB Ipes adota diversas medidas para evitar qualquer intercorrência envolvendo a rede de iluminação pública no Distrito Federal. O Parque de iluminação utiliza fiação subterrânea em todo o DF, o que reduz significativamente o risco de acidentes, como curto-circuito e choques elétricos, além de minimizar impactos causados por fenômenos climáticos”, afirma a Companhia.

    Segundo o órgão, em 2022 e 2023 não houve acidentes envolvendo a fiação da rede pública de energia do DF. “Em 2024 a companhia registrou apenas dois acidentes envolvendo equipamentos de iluminação pública, sem mortes e, em 2025, um incidente”.

    Quanto aos furtos de cabos de furtos, a CEB Ipes afirmou que tem feito a substituição dos cabos de cobre por cabos de alumínio, cujo material não tem valor no mercado paralelo. “A empresa também tem efetuado a troca dos postes por equipamento sem janelas de inspeção, para evitar acesso indevido à rede.”

    Em caso de problemas com a iluminação pública, a população pode informar à CEB Ipes pelos canais oficiais da companhia: aplicativo Ilumina DF, telefone 155 e o site ceb.com.br. Desta forma, a empresa toma ciência e pode resolver as demandas com mais rapidez.

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