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Aço e alumínio: setor debate solução à tarifa dos EUA com governo Lula

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A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) manifestou preocupação com os impactos da nova medida tarifária anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que pretende impor um acréscimo de 25% sobre as importações de aço e alumínio.

Em posicionamento divulgado nesta terça-feira (11/2), a entidade diz estar em diálogo com o governo Lula (PT) para compreender as implicações dessa medida e “buscar soluções que mitiguem seus impactos sobre a economia nacional no curto e médio prazo, garantindo um ambiente mais competitivo para a indústria do alumínio brasileira”.


Brasil atingido

  • A decisão do governo Donald Trump de taxar em 25% as importações dos EUA de aço e alumínio atinge diversos países. A medida entra em vigor a partir de 12 de março.
  • Ao lado do Canadá e México, o Brasil é um dos maiores exportadores de aço para os EUA.
  • Os EUA foram o destino de 13,5% do total (72,4 mil toneladas) das exportações brasileiras de produtos de alumínio, segundo a Abal.
  • No seu primeiro mandato, Trump também adotou tarifas sobre importações dos metais. Na época, empresas do setor chegaram a anunciar demissões no Brasil, mas recuaram após o presidente norte-americano voltar atrás e cancelar a cobrança dos impostos.

O anúncio público das tarifas pelos EUA foi feito na noite dessa segunda-feira (10/2), mas o decreto executivo com os detalhes das medidas a serem aplicadas ainda não foi publicado no site do governo americano.

Portanto, ainda não está claro se essa nova tarifa substituirá a sobretaxa existente de 10% ou se será adicionada a ela, resultando em uma tarifa total de 35%, diz a associação. Mas, conforme anunciado pelo presidente Donald Trump, desta vez não haverá exceções ou isenções para nenhum país.

Na medida anterior, imposta em 2018 (no primeiro governo Trump), os EUA aplicaram tarifas de 25% sobre importações de aço e 10% sobre importações de alguns produtos de alumínio. No entanto, no caso do alumínio, alguns países receberam isenções totais (Canadá, México e Austrália) ou foram incluídos em acordos de cotas (Argentina, União Europeia e Reino Unido).

Como mostrado pelo colunista do Metrópoles Igor Gadelha, membros da equipe econômica de Lula apostam que, embora já tenha anunciado a medida, Trump topará negociar um acordo de cotas com Brasil, como fez em 2018.

Efeitos

Segundo a associação do alumínio, os efeitos imediatos para o Brasil serão sentidos primeiramente nas exportações e na dificuldade de acesso dos produtos brasileiros a esse mercado.

“Apesar de os produtos de alumínio brasileiros terem plena condição de competir em mercados altamente exigentes como o americano, seja pelo aspecto da qualidade ou da sustentabilidade, nossos produtos se tornarão significativamente menos atrativos comercialmente devido à nova sobretaxa”.

A entidade diz que a participação do Brasil nas importações americanas de produtos de alumínio é relativamente pequena, menos de 1%, mas os Estados Unidos são um parceiro comercial importante e correspondem a 16,8% das exportações brasileiras do metal, o que movimentou US$ 267 milhões do total de US$ 1,5 bilhão exportado pelo setor em 2024.

Em termos de volume, os Estados Unidos foram o destino de 13,5% do total (72,4 mil toneladas) das exportações brasileiras de produtos de alumínio. Desse total, 54,2 mil toneladas das exportações estavam sujeitas às regras de 2018, e chapas e folhas de alumínio corresponderam a 76% desse volume.

Além dos impactos na balança comercial, preocupam ainda mais os efeitos indiretos associados ao aumento da exposição do Brasil aos desvios de comércio e à concorrência desleal. Produtos de outras origens que perderem acesso ao mercado americano buscarão novos destinos, incluindo o Brasil, podendo gerar uma saturação do mercado interno de produtos a preços desleais, continua a associação.

A imposição das novas tarifas nos EUA também pode resultar em uma tendência de elevação dos preços regionais, especialmente nas regiões que dependem de importações, o que pode provocar um realinhamento nas cadeias globais de suprimento e modificar fluxos comerciais tradicionais.

“Esse cenário reforça a necessidade de ampliarmos as discussões sobre o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e a recalibração da política tarifária nacional, de forma a corrigir distorções no mercado para proteger a indústria nacional contra a concorrência desleal e os impactos adversos provenientes dessa nova reconfiguração internacional”, completa a Abal.

A entidade representativa das empresas brasileiras produtoras de aço, a Aço Brasil, ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.

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