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    HomeBrasilBolsonaristas “reciclam” tática da época de Moro e minimizam vídeo

    Bolsonaristas “reciclam” tática da época de Moro e minimizam vídeo

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    A saída do então ministro da Justiça, Sergio Moro, do governo de Jair Bolsonaro (PL), no início de 2020, foi inicialmente um duro golpe na militância bolsonarista, com a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) chegando a prever que o chefe do Executivo ia “cair”.

    Os apoiadores de Bolsonaro, porém, acabaram ressignificando as denúncias, após a divulgação da gravação de reunião ministerial em que o ex-presidente exigia trocas na PF para proteger familiares. Agora, a tática de minimizar falas de Bolsonaro e isentá-lo de culpas é colocada em prática novamente.

    Para influenciadores digitais bolsonaristas, o conteúdo da reunião ministerial de julho de 2022, que revelou “dinâmica golpista”, segundo as investigações da Polícia Federal, não tem nada que incrimine o ex-presidente ou seus então auxiliares.

    “Desafio: encontre o golpe”, ironizou, em postagem nas redes sociais divulgando a íntegra da reunião, o presidente da Fundação Palmares no governo Bolsonaro, Sérgio Camargo.

    A narrativa de que não há nada demais nas falas está ecoando nas redes sociais e em grupos bolsonaristas em aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram.

    “Eu teria que ser um verdadeiro IMBECIL para acreditar que em uma reunião para de fato planejar um grande ‘golpe de estado’ estariam presentes FOTÓGRAFOS, CINEGRAFISTAS e acredite se quiser quase UMA DÚZIA DE GARÇONS”, postou, na sexta (9/2), um perfil chamado Historiador Libertário no X, antigo Twitter.

    Veja mais exemplos da narrativa nas redes bolsonaristas de minimizar o vídeo da reunião ministerial em que o ex-presidente acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fraude e convocou a equipe a questionar o sistema eleitoral:


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    Operação da PF e surgimento do vídeo

    A gravação da reunião de julho de 2022 se tornou, ao longo da semana, a revelação mais chamativa na mídia e nas redes das investigações da PF sobre a suposta articulação de um golpe de Estado para impedir que o petista Luiz Inácio Lula da Silva assumisse a Presidência da República.

    A PF deflagrou, na quarta (7/2), a Operação Tempus Veritatis, que cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva, mirando Bolsonaro e aliados. Nos documentos que basearam a ação, há transcrições do que ocorreu na reunião, cujas imagens começaram a se tornar públicas no dia seguinte.

    No encontro que reuniu ministros e chefes das Forças Armadas três meses antes da eleição de 2022, Bolsonaro fala sobre opções e “plano B” para impedir a vitória de Lula e repete acusações sem provas contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O vídeo mostra que o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, tratou o TSE como “o inimigo”. O então ministro chefe do GSI, general Augusto Heleno, falou sobre “tomar atitude” antes das eleições e sobre “virar a mesa”, além de sugerir infiltrar agentes da Abin nas campanhas presidenciais.

    O material em vídeo da reunião foi encontrado pela PF em um computador na casa do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, em operação anterior.

    Segundo o colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles, Bolsonaro mandou gravar a reunião e planejava publicar recortes do encontro, que não comprometessem nem ele nem seus ministros, nas redes sociais.

    Cid, porém, esqueceu de deletar a íntegra do arquivo.

    O que diz a defesa de Bolsonaro

    A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou-se sobre o vídeo da reunião, alegando que ela foi “rotineira”.

    “O encontro trata, fundamentalmente, da cobrança para com o time de ministros dele para que atuem de maneira organizada”, informa nota divulgada na sexta.

    Segundo o texto, na ocasião, todos os presentes puderam manifestar publicamente sua opinião a respeito da conjuntura daquele momento.

    “Na reunião ministerial o ex-presidente Bolsonaro reitera, mais uma vez, sua postura de jamais recorrer a qualquer medida de força contra a ordem democrática”, destaca a nota assinada pelos advogados Paulo Amador da Cunha Bueno, Daniel Bettamio Tesser e Fábio Wajngarten

    “Bem ao seu estilo veemente, o ex-mandatário reafirma seu compromisso de agir sempre dentro das quatros linhas da Constituição. Opinião pública já conhecida pela sociedade brasileira”, conclui a nota.

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