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    HomeBrasilHaddad fala em “negociação de forma e conteúdo” sobre MP da Reoneração

    Haddad fala em “negociação de forma e conteúdo” sobre MP da Reoneração

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    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, nesta segunda-feira (22/1), que tem feito negociação “de forma e de conteúdo” no que se refere a uma alternativa viável para a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia.

    No apagar das luzes de 2023, o governo editou a Medida Provisória (MP) da Reoneração, estabelecendo uma reoneração escalonada dos setores hoje desonerados.

    A MP, porém, foi alvo de uma série de críticas de empresários e parlamentares, que ameaçaram rejeitar o texto. Desde então, a Fazenda tem feito articulações intermediadas pelos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

    Uma das possibilidades na mesa é a substituição dessa MP por um projeto de lei (PL). O conteúdo da medida pode ser dividido em várias proposições. Medidas provisórias têm força de lei e vigência imediata, o que justifica parte da resistência.

    “A gente tem feito negociação de forma e de conteúdo tanto com a Câmara quanto com o Senado”, revelou Haddad durante participação no Roda Viva, da TV Cultura.

    O ministro disse que entre esta semana e a próxima deverá haver decisão sobre o assunto, mas salientou que, mais importante que a forma, é o princípio. Ele defendeu que a política da desoneração não é justa e deve ser revista.

    A desoneração da folha é uma política que começou a ser implementada em 2011 e vem sendo prorrogada sucessivamente desde então. Ela estabelece alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta das empresas, em vez do pagamento de 20% na contribuição previdenciária, como é conhecida a folha de salários.

    A última prorrogação da desoneração foi aprovada pelo Congresso no ano passado, por mais quatro anos, até dezembro de 2027. Por recomendação da equipe econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou essa extensão, mas o veto presidencial foi derrubado pelo Congresso logo depois. Em seguida, o governo editou a MP da Reoneração como alternativa.

    “De 10 economistas, nove concordam que esses privilégios (estabelecidos pela política da desoneração) precisam ser revistos. Entendemos que eles não deveriam acabar de uma hora para a outra. Mas alguém concorda em eternizar esse privilégio dos 17 setores? Os líderes (partidários) concordam que não se deve eternizar”, assinalou o ministro da Fazenda.

    Diluição

    “Se você abdica da receita de 17 setores, alguém vai ter de pagar a conta”, prosseguiu Haddad, frisando que vê uma diluição no tempo como uma alternativa viável a uma reoneração completa e imediata.

    A MP proposta pelo Poder Executivo estabelece uma reoneração gradual por atividade econômica, a ser iniciada em abril de 2024 e prosseguindo até 2027.

    Haddad disse que, no ano passado, os projetos da pauta econômica passaram no Congresso porque foi criada situação de diálogo e entendimento permanentes, que envolveu ainda o Poder Judiciário.

    “Nenhum dos três interlocutores (Lula, Lira e Pacheco) pareceu refratário a sentar e conversar”, disse Haddad.

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